domingo, 28 de fevereiro de 2010

Sem fim-de-semana

Comecei segunda-feira, não sei quando páro, mas estou feliz.

Vinte e quatro anos e uma amiga nova. Uma semana em que não houve uma noite em que tenha dormido mais de cinco horas, uma semana de trabalho a prolongar-se até às nove, dez, onze, meia-noite, e a começar a um quarto para as oito. Uma semana com seis dias. Uma semana sem jornais, sem música, sem filmes, sem crochet, sem blogue, sem bolachas maria, sem livros, sem desenhos, sem aulas, sem cadela. Uma semana sem parabéns à avó e ao mano. Uma semana em que a festa se fez com uma ninharia, num quarto do hotel de cinco estrelas que nos estavam a pagar, espalhados pelas camas e pelas cadeiras, uma semana em que não tive de me sentir mal por achar que sair à noite é uma seca. Uma noite de copos e jogos com os pijamas vestidos e a cagar para as horas de sono.Uma semana a fazer um trabalho automático, de pés doridos, de costas doridas, de dores de cabeça, de contributo às varizes que hão-de vir. Mas uma semana com um muito inesperado calor humano.

Com estas músicas na cabeça até me esqueço que é Inverno, e que Inverno.

sábado, 27 de fevereiro de 2010

Período de céu muito nublado

Havia uma caminhada pronta a ser calcorreada! 30 km.
Ontem, os colegas de Educação Física ainda me diziam com entusiasmo que, com uma roupa impermeável, seria uma maravilha.
Passei pela Sport Zone depois das aulas. Não havia calças inteiramente impermeáveis, disse a menina. Comprei o mais inteiramente impermeável que me apareceu à frente: um fato de treino um bocado medonho. Um S, que me sobra nas pernas e me falta nas mangas. Um fenómeno para enfrentar fenómenos metereológicos. No caminho para casa, ouvia na rádio o arco íris dos alertas da Protecção Civil. Olhava para o fenómeno no saco. Suspirava.
Hoje acordei ás 7h, com um assobio no ouvido. Procurei a janela. O alerta fazia-se cumprir, pelo menos às 7 da manha. Mandei mensagem ao colega e mergulhei no vale dos lençois.
Passei a tarde enfiada num café entre conversa de mulheres, meias de leite e torradas.
Espero agora ansiosamente um evento digno para a estreia do fato de treino. Talvez um tsunami.

quarta-feira, 24 de fevereiro de 2010

Crónicas do dia a dia!

Ontem à noite na piscina onde todas as semanas nado para cá e para lá, para lá e para cá, víamos a trovoada através dos vidros e a criançada gritava de dois em dois minutos, fazendo de todos aqueles momentos uma contínua loucura: mergulhar, levantar a cabeça, ouvir os gritos dos miúdos, mergulhar, levantar a cabeça, levar com a luz dos raios nos olhos, mergulhar...
Terminamos a sessão, com os parabéns ao sr João. Não me atrevi a perguntar quantos eram, mas desconfio que uns 80. O sr. João, com uma mola no nariz, comovido agradeceu a todos, enquanto as luzes acendiam e apagavam, dementes com a trovoada...mas fazendo crer o sr João que aquilo era tudo para si.

terça-feira, 23 de fevereiro de 2010

segunda-feira, 22 de fevereiro de 2010

domingo, 21 de fevereiro de 2010

Descobrimentos Musicais - The Portugals

Não são bem uma novidade, pois o primeiro trabalho publicado é de Outubro de 2008, mas só agora os apreciei devidamente. Os The Portugals são uma banda do Porto e autores do disco SETUBAL (assim mesmo, em maiúsculas e sem acento no U) que tem esta belíssima capa:
Soam a herdeiros do shoegaze britânico dos 90s e têm personalidade e pinta suficiente para levarem o Zé da Caixa Award na categoria Mereciam Um Palco Maior (claro que a escolha do nome do EP foi decisiva na atribuição do galardão). Oiçam aqui e vejam aqui:

Em Portugal a boa música resiste. Resiste!

Não dá para ficar de fora

Sabe-se que é hora de criar um perfil quando se tem convites pendentes dos... pais.

sábado, 20 de fevereiro de 2010

O lugar das mulheres é na cozinha

Ás 3 da tarde leio a receita: tarte de maçã com cobertura crocante.
Devia ter suspeitado que aquela quantidade absurda de farinha atirada para cima da massa, sem ser mexida, sem ser revolta, era mau pronúncio. Como em tudo na vida, as coisas para terem gosto devem misturar-se umas com as outras e a farinha, queria-se ali, orgulhosamente só, por cima da massa e da maçã.
Ás 3 e meia da tarde, ignorando o egocentrismo da farinha, atirei-me aos ovos, à manteiga, à forma. Um nojo, em menos de 10 minutos tinha a cozinha num nojo.
Meia hora depois, aquilo, aquilo que se diz, tarte de maçã com cobertura crocante, estava pronta para ir ao forno.
Ás 4 horas, continuava a tentar ligar o forno da cozinha da casa dos meus pais, e suava e bufava e revirava as grelhas e aquela porcaria não acendia.
Ás 4 da tarde, com o forno já aceso, a cozinha feito campo de batalha e a tarte já ao lume, começa a sentir-se um cheiro estranho.
Ignorei solenemente. Sentada no sofá da sala, pensei: é a porcaria da farinha a misturar-se com o resto, snobe dum raio ainda por cima teima em cheirar mal.
Ás 4 e 10 da tarde, o cheiro da farinha snobe, confundia-se com o cheiro de um incêncio. Um cheiro de infância, quando o primo pegou fogo á palha do galinheiro na casa da avó e por pouco não houve mortos. As galinhas.
Resolvi levantar-me. Segui a nuvem de fumo, como sinal primitivo de contacto: a besta da farinha queria travar-se de conhecimento. Bom, já não era só a farinha...o forno ardia e não sei como, nem porquê.
Ás 4 e 15, desliguei o gás e atirei com água para dentro do forno, em mais uma ideia de uma tarde de ideias inteligentes. Apaguei o fogo. Resgatei a tarte.
Agora, a esta hora, ninguém entra na cozinha. Eu, sinto-me uma refugiada gastronómica, apatria e pestilenta. A puta da farinha, nem na iminência de um destino ainda mais trágico, se dignou a misturas.
Amanha, experimento outra receita.

"Dose da fatia de um doce"

A poesia de João Negreiros, os chorinhos e o fado por uma guitarra portuguesa, por uma guitarra clássica. Quinta feira à noite, num primeiro andar de uma livraria ali para os lados da Praça Carlos Alberto.
Ficam as palavras.
Dose da fatia de um doce
Dá-me um bocadinho do teu amor
todos os dias
Não mo dês todo hoje
que amanhã vou precisar dele outra vez
eu sei
conheço-me bem e nesse aspecto
sou exactamente como o resto da humanidade
preciso de ser amado todos os dias
só espero não morrer muito velhinho
para que o teu amor
me dure até ao fim da vida
in "o cheiro da sombra das flores" de João Negreiros

quinta-feira, 18 de fevereiro de 2010

Invictus

***
É um 3 pequenino.
A história é melhor do que o filme, claro, mas o Morgan Freeman é melhor para o papel do que o Nelson Mandela. Sabem o que eu quero dizer, a cara do Mandela não parece ser suficientemente séria para a vida que teve.

Precious

***

Whatever Works

(Ó, A que ainda não tem nome, o cinema aí é tão bom como o daqui?)
****
O que importa é ser feliz.
De assinalar que, talvez por ter sido no Londres, a sala estava cheia de senhoras de cabelo armado e a média de idades devia rondar os quarenta e cinco anos.
Não quero ser preconceituosa, mas estou em crer que a maioria daquela gente achou imensa piada ao filme porque "O Woody Allen é uma graça, tão provocador, não acha?" mas essas excentricidades só ficam bem a gente com muito dinheiro.
Passada essa noite e dormidos sobre o assunto, voltaram todos a achar que a vida é para ser vivida como a repetição de uma fórmula.
Fórmula que cheira a bolas de naftalina e a laca de cabelo.

quarta-feira, 17 de fevereiro de 2010

Música Encomendada

Charlotte Gainsbourg- 5:55 (2006) O carteiro Pat voltou a visitar-me e desta vez trouxe-me a Charlotte Gainsbourg e o seu primeiro disco 5:55. A música é dos Air e há letras do Jarvis Cocker. Ainda só ouvi uma vez, ou seja, ainda estou deslumbrado e demasiado próximo para poder escrever objectivamente... o que é óptimo: acredito que só devíamos escrever sobre aquilo de que gostamos. A própria capa do disco é lindíssima, elegante e sóbria. Para aperitivo escutem e vejam o tema que dá o título ao disco:
Depois de ouvir isto a primeira vez apeteceu-me escrever à Charlotte (e dizer-lhe que ia ter com ela à França para sermos felizes os dois) para agradecer por me deixar com uma bola de ténis dentro do peito. Mas uma bola boa, que para a má já não há saco.
Merci Charlotte.
Votre ami (et plus laissez moi être),

Whatever Works

O último de Allen é um regresso às origens: Nova Iorque e uma "crónica" improvável da vida diária de gente como nós. Não há lugar para grandes fantasias, há sim, aquilo a que Woody Allen nos habituou há muitos anos: através de Boris (a personagem principal), mergulhamos na causticidade do realizador, num mundo imperfeito e cheio de imperfeições, onde o comum nunca é vulgar e onde a esquizofrenia adquire uma comicidade que roça a ternura.
Não conseguimos chegar a gostar de Boris, mas também nunca o chegamos a detestar. No fundo, torcemos por ele, como torcemos por todos os que nos rodeiam, cheios de vícios e manias, cheios de defeitos e pormenores. Gente como nós. Alguns mais loucos do que muitos de nós conseguiremos um dia ser. Vidas em que, no final e afinal, tudo poderá vir a dar certo, dependendo do que é certo e independentemente do caminho que se leve para lá chegar.
Armando-me em crítica de cinema ou em Miss Chica, atiro 3 estrelas!

terça-feira, 16 de fevereiro de 2010

"O gosto dos outros"

Com o tempo percebemos que gostamos muito, tanto, mas que o tanto que gostamos é só um gostar tanto que mais nunca poderia ser do que gostar. Tanto, mas ainda assim não tanto, que não chega para substituir o verbo e o tentar eterno enquanto durar.